domingo, 27 de março de 2016

Mielomeningocele

          A mielomeningocele faz parte de um grupo de doenças: os disrafismos espinhais. Essas doenças são caracterizadas por defeitos congênitos (malformações) na coluna e medula espinhal do feto. A coluna vertebral protege a medula, impedindo que ela sofra quaisquer tipos de danos. Durante o primeiro mês de gestação, por volta da 3ª e 4ª semana, acontece o fechamento do tubo neural, uma estrutura primitiva que dará origem a medula espinhal, meninges e raízes nervosas. Na mielomeningocele ocorre um defeito de fechamento neural, caracterizando uma malformação congênita da coluna vertebral da criança em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas nas costas do bebê.
           Não se sabe ao certo o que causa a mielomeningocele, esta condição parece resultar de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Alguns fatores de risco possíveis incluem etnia (mais comum entre brancos e hispânicos), sexo (mais comum no sexo feminino), histórico familiar de malformações da coluna vertebral, deficiência de ácido fólico, diabetes materno descompensado, obesidade materna, algumas medicações (carbamazepina, ácido valpróico), e febre nas primeiras semanas de gravidez.
           A mielomeningocele pode ser diagnosticada através da ultrassonografia geralmente a partir da 17ª semana de gestação. O espectro e a gravidade das deformidades, assim como os déficits neurológicos, dependem do nível da lesão. Em geral, lesões mais altas como na coluna torácica (cerca de 10% dos casos) apresentam maior comprometimento neurológico. E, quanto mais baixa a lesão, como as lombo-sacrais (cerca de 85%), menores as chances de sequelas graves. Na maioria dos casos a mielomeningocele é associada a hidrocefalia, cerca de 85% das crianças com mielomeningocele vão precisar de uma derivação ventricular ou de endoscopia cerebral logo após o nascimento ou em algum momento da sua vida.  Outros sintomas incluem herniação cerebral (Síndrome de Arnold Chiari tipo 2), comprometimento cognitivo, sensitivo e/ou motor (fraqueza, pé torto congênito), disfunções do intestino e da bexiga. Aproximadamente 75% terão quoeficiente de inteligência superior a 80 e cerca de metade das crianças irá apresentar algum tipo de atraso no aprendizado. 
           O tratamento clássico inclui a correção do defeito medular após o nascimento no menor prazo possível, preferencialmente nas primeiras 24h de nascimento, devido ao risco de infecção do sistema nervoso. Essa cirurgia visa apenas corrigir esta falha e fechá-la com pele prevenindo complicações, não altera em nada o prognóstico neurológico do paciente. Posteriormente o bebê segue em acompanhamento com o neurocirurgião que avaliará a necessidade de outras intervenções cirúrgicas como a colocação de válvula para hidrocefalia caso necessário.
           E a cirurgia de correção de mielomeningocele intrauterina (antes do nascimento)? É importante ressaltar que as consequências da doença são secundárias a um erro embriológico que não é possível alterar. Os estudos atuais demonstram que para um grupo específico de pacientes, a correção intrauterina pode reduzir a necessidade de colocação de válvula (tratamento cirúrgico da hidrocefalia), reduzindo a incidência e complicações da síndrome de Arnold-Chiari II, que costuma acompanhar a mielomeningocele. Precisa ficar claro que a cirurgia fetal para mielomeningocele NÃO resulta em CURA e existe risco considerável de trabalho de parto prematuro.
           Nossa equipe atua no tratamento de doenças neurocirúrgicas de adultos e crianças. Se você precisa de um especialista acesse www.raquelzorzi.com.br
         
          

Nenhum comentário:

Postar um comentário