quarta-feira, 30 de março de 2016

Dra, tenho uma hérnia na coluna lombar, eu tenho que operar?

          Calma! Para todos os pacientem que chegam a mim com essa frase eu explico que hérnia não é igual a cirurgia necessariamente. Segundo dados do IBGE, a hérnia de disco afeta 5,4 milhões de brasileiros. Ao indicar uma cirurgia, temos que ter em mente alguns critérios. Primeiro, não costuma-se indicar cirurgia para uma primeira crise de dor, a maior parte dos pacientes melhora com tratamento conservador em até 8 semanas (analgésicos, anti-inflamatório e fisioterapia). Para pacientes reincidentes (várias crises) ou cuja crise, mesmo sendo a primeira, tem algum sinal de alerta (dor que não alivia nada com o tratamento conservador, fraqueza nas pernas, dormência, impotência, perda do controle da urina,etc) geralmente se indica uma cirurgia simples e pouco invasiva, com a abordagem àquele disco que deu origem a hérnia. 



          Nos casos em que a hérnia de disco leva à instabilidade da coluna, poderão ser indicados procedimentos mais complexos, como a artrodese, em que a coluna é fixada com utilização de hastes e parafusos metálicos. Algumas instituições seguem protocolos rígidos para a recomendação da artrodese, tornando a indicação do procedimento bastante restrita em uma primeira abordagem. Já a técnica de substituição do disco intervertebral por prótese deve ser vista com reservas. Ainda não há total segurança de que ela apresente melhores resultados do que as técnicas convencionais. Portanto, ao receber um diagnóstico apontando a necessidade de uma cirurgia mais complexa, é recomendável que o paciente busque a opinião de outros especialistas. Mas lembre que cada caso é um caso, o paciente deve ser examinado pelo neurocirurgião e ele vai indicar a conduta mais correta.

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O que é microcefalia?

          Ela é definida quando o bebê ou criança tem o tamanho da circunferência da cabeça menor do que o esperado para sua idade e sexo. Essa condição pode estar presente ao nascimento ou se desenvolver ao longo dos primeiros anos de vida.

          Ao contrário do que muitos pensam a microcefalia na maior parte das vezes não é uma doença em si, é na verdade uma manifestação clínica de uma série de doenças, como infecções congênitas (rubéola, citomegalovírus, sífilis), cranioestenose, entre outras.

          Nos bebês e nas crianças, quando o cérebro está em crescimento, a medida do crânio na verdade reflete o adequado desenvolvimento cerebral, por isso a criança com microcefalia pode ter dificuldades de aprendizado dos mais diferentes graus até retardo grave.

          Nossa equipe atua no tratamento de doenças neurocirúrgicas de adultos e crianças. Se você precisa de um especialista acesse www.raquelzorzi.com.br

 
  

segunda-feira, 28 de março de 2016

Hérnia de disco

            A coluna vertebral é composta por vértebras (osso). Essas vértebras protegem e ficam em torno de um canal por onde passa a medula espinhal ou nervosa, que é uma estrutura do sistema nervoso que transmite a informação de movimento e sensibilidade do cérebro até nosso corpo (braços, pernas, etc.). Entre as vértebras cervicais, torácicas e lombares, estão os discos intervertebrais, estruturas em forma de anel, constituídas por tecido cartilaginoso e elástico cuja função é evitar o atrito entre uma vértebra e outra e amortecer o impacto.

          Os discos intervertebrais desgastam-se com o tempo e o uso repetitivo, o que facilita a formação de hérnias de disco, ou seja, parte deles sai da posição normal e podem comprimir tanto a própria medula espinhal quanto as raízes (nervos) que saem dela para levar a informação de movimento para o corpo ou entram nela trazendo informações de sensibilidade para que cheguem ao cérebro. O problema é mais frequente nas regiões lombar e cervical, por serem áreas mais expostas ao movimento e que suportam mais carga.

              Os sintomas variam entre dor que pode ser leve até muito intensa apenas na região da coluna ou se estender para ombro e braços (se a hérnia for cervical) ou nádegas e perna (se a hérnia for lombar). Os pacientes podem ainda apresentar dormência e fraqueza nos membros, alterações no controle da urina e fezes e impotência (no caso de homens). O diagnóstico pode ser facilmente feito com exame de ressonância magnética da coluna. Exames como tomografia, eletroneuromiografia e raio X podem ser necessários para complementação da investigação.

              O médico avalia se há indicação de cirurgia de urgência, mas na maior parte das vezes é tentado primeiro um tratamento conservador que pode incluir desde medicamentos, fisioterapia, perda de peso, acupuntura, entre outras terapêuticas, dependendo do caso. A cirurgia varia de simples remoção da hérnia (mais comumente), até colocação de próteses (cages e parafusos) quando geralmente há outros problemas de coluna associados a formação da hérnia.

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domingo, 27 de março de 2016

Os perigos da dor de cabeça!


     A dor de cabeça é uma das queixas mais comuns em um consultório de neuro. Apesar de ser frequente e sem maior gravidade em grande parte da população, veja abaixo alguns dos sinais de alerta, quando devemos estar atentos para procurar um especialista:

1- dor de cabeça com piora progressiva ao longo dos dias

2- quando a dor de cabeça não alivia com analgésicos comuns (aqueles vendidos na farmácia sem receita e usados habitualmente pela população)

3- quando a dor de cabeça é associada a náuseas e vômitos

4- quando a dor é mais intensa pela manhã ao acordar

5- quando é uma dor de cabeça muito intensa de início súbito

6- quando a dor é nova ou diferente daquela que você está habituado.

7- quando além da dor o paciente tem outros sintomas neurológicos como fraqueza, dormência, etc
 
     Esses sinais de alerta podem indicar uma doença de maior gravidade e é recomendável procurar um especialista. Se você quiser agendar uma consulta acesse www.raquelzorzi.com.br

Cisto aracnóide


           O cisto de aracnóide, ou cisto aracnóide, é uma coleção de líquido cefalorraquiano (líquido que está presente dentro do nosso cérebro), que por algum defeito na nossa formação, ainda na fase fetal, ficou preso entre as membranas que revestem o cérebro. São 3 as membranas que cobrem o cérebro: 1 – dura-máter que é a mais superficial, espessa e aderida ao osso; 2 – a pia-mater que é a mais interna, fina e aderida ao cérebro; e 3 – a aracnóide, que forma uma rede parecida com uma teia de aranha, como o próprio nome diz. O cisto em questão é formado por membranas aracnóides. A localização varia, sendo mais comum na região da fissura silviana ou fossa média (42%), seguido pela fossa posterior (24%) e região supraselar (10%). 
          Na grande maioria dos casos, os cistos aracnóides não chegam a ser um problema pois grande parte não causam sintomas e são descobertos de modo incidental ao se realizar uma tomografia ou ressonância do crânio por um outro motivo qualquer.  Cerca de 1 a 2% das pessoas têm um cisto aracnóide e nunca vão saber, porque a maioria não causa sintomas!
          No entanto, o cisto pode aumentar de tamanho pelo mesmo mecanismo de válvula pelo qual é formado, ou então apresentar um sangramento em seu interior e, aí, os sintomas aparecem. As manifestações clínicas dependem da localização do cisto e podem ser várias: dor de cabeça, tontura, convulsão ou epilepsia, déficits neurológicos como fraqueza,  formigamento, déficit visual ou auditivo, dificuldade de equilíbrio e coordenação. Os cistos supraselares, por sua proximidade com a glândula hipofisária e o 3º ventrículo podem causar alguns sintomas específicos como doenças endócrinas, anormalidades visuais, alteração de marcha e hidrocefalia. .
          Na maioria dos casos o tratamento não é necessário e apenas fazemos acompanhamento do cisto. Em caso de cistos sintomáticos o tratamento pode ser necessário e consiste geralmente de 3 opções: 1- cirurgia aberta 2- neuroendoscopia 3- derivação cisto-peritonial (válvula). Converse com o especialista a respeito de qual a melhor indicação para o seu caso, o procedimento escolhido depende das características do paciente (idade, variações anatômicas) e do cisto (localização, tamanho, forma).

            Nossa equipe atua no tratamento de doenças neurocirúrgicas de adultos e crianças. Se você precisa de um especialista acesse www.raquelzorzi.com.br

Mielomeningocele

          A mielomeningocele faz parte de um grupo de doenças: os disrafismos espinhais. Essas doenças são caracterizadas por defeitos congênitos (malformações) na coluna e medula espinhal do feto. A coluna vertebral protege a medula, impedindo que ela sofra quaisquer tipos de danos. Durante o primeiro mês de gestação, por volta da 3ª e 4ª semana, acontece o fechamento do tubo neural, uma estrutura primitiva que dará origem a medula espinhal, meninges e raízes nervosas. Na mielomeningocele ocorre um defeito de fechamento neural, caracterizando uma malformação congênita da coluna vertebral da criança em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas nas costas do bebê.
           Não se sabe ao certo o que causa a mielomeningocele, esta condição parece resultar de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Alguns fatores de risco possíveis incluem etnia (mais comum entre brancos e hispânicos), sexo (mais comum no sexo feminino), histórico familiar de malformações da coluna vertebral, deficiência de ácido fólico, diabetes materno descompensado, obesidade materna, algumas medicações (carbamazepina, ácido valpróico), e febre nas primeiras semanas de gravidez.
           A mielomeningocele pode ser diagnosticada através da ultrassonografia geralmente a partir da 17ª semana de gestação. O espectro e a gravidade das deformidades, assim como os déficits neurológicos, dependem do nível da lesão. Em geral, lesões mais altas como na coluna torácica (cerca de 10% dos casos) apresentam maior comprometimento neurológico. E, quanto mais baixa a lesão, como as lombo-sacrais (cerca de 85%), menores as chances de sequelas graves. Na maioria dos casos a mielomeningocele é associada a hidrocefalia, cerca de 85% das crianças com mielomeningocele vão precisar de uma derivação ventricular ou de endoscopia cerebral logo após o nascimento ou em algum momento da sua vida.  Outros sintomas incluem herniação cerebral (Síndrome de Arnold Chiari tipo 2), comprometimento cognitivo, sensitivo e/ou motor (fraqueza, pé torto congênito), disfunções do intestino e da bexiga. Aproximadamente 75% terão quoeficiente de inteligência superior a 80 e cerca de metade das crianças irá apresentar algum tipo de atraso no aprendizado. 
           O tratamento clássico inclui a correção do defeito medular após o nascimento no menor prazo possível, preferencialmente nas primeiras 24h de nascimento, devido ao risco de infecção do sistema nervoso. Essa cirurgia visa apenas corrigir esta falha e fechá-la com pele prevenindo complicações, não altera em nada o prognóstico neurológico do paciente. Posteriormente o bebê segue em acompanhamento com o neurocirurgião que avaliará a necessidade de outras intervenções cirúrgicas como a colocação de válvula para hidrocefalia caso necessário.
           E a cirurgia de correção de mielomeningocele intrauterina (antes do nascimento)? É importante ressaltar que as consequências da doença são secundárias a um erro embriológico que não é possível alterar. Os estudos atuais demonstram que para um grupo específico de pacientes, a correção intrauterina pode reduzir a necessidade de colocação de válvula (tratamento cirúrgico da hidrocefalia), reduzindo a incidência e complicações da síndrome de Arnold-Chiari II, que costuma acompanhar a mielomeningocele. Precisa ficar claro que a cirurgia fetal para mielomeningocele NÃO resulta em CURA e existe risco considerável de trabalho de parto prematuro.
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Hemorragias cranianas traumáticas agudas

           Quando sofremos um traumatismo craniano o cérebro “chacoalha” dentro do crânio, podem do-se chocar contra o osso.  Esse movimento anormal e a ocorrência de fraturas cranianas podem causar vários tipos de hemorragia:

 
·       Hemorragia extradural (epidural) – essa hemorragia localiza-se no espaço epidural, ou seja, entre a dura-máter e o osso. Ela não compromete diretamente o cérebro, mas sim indiretamente pois comprime o cérebro adjacente ao hematoma. Na tomografia de crânio aparece como um sangramento no formato biconvexo. Tradicionalmente são causados por ruptura de artérias.

·       Hemorragia subdural - essa hemorragia localiza-se no espaço subdural, ou seja, abaixo da dura-máter, entre ela e o cérebro. Da mesma forma que a hemorragia extradural o comprometimento do cérebro é indireto por compressão. Tradicionalmente são causados por ruptura de veias.

·       Contusão cerebral – quando o cérebro se choca com o osso ele forma um “machucado” da mesma forma que nós quando batemos o braço em uma parede por exemplo. Esse “machucado” é a contusão cerebral, um coágulo que se forma dentro do cérebro.

 
·       Hemorragia subaracnóide – é um sangramento difuso pelo espaço subaracnóide. Geralmente não causa maiores problemas por si só, mas pode ser um indicativo de um trauma de alta energia e ter outras lesões associadas mais graves.
          Quando um paciente sofre um traumatismo de crânio moderado a grave ele deve ser obrigatoriamente avaliado por um neurocirurgião que solicitará os exames necessários para descartar lesões traumáticas. Os sintomas podem variar de uma simples dor de cabeça até o paciente entrar em coma e morrer, tudo depende do tamanho, localização e rapidez do crescimento do hematoma. Geralmente uma tomografia de crânio é mais do que suficiente para evidenciar as lesões acima, e pode ser feita rapidamente na urgência. Dependendo do quadro clínico e tamanho e das características dos sangramentos o neurocirurgião indicará ou não uma cirurgia para remoção dos coágulos, podendo também indicar a colocação de um monitor de pressão intracraniana para otimizar os cuidados neurointensivos no pós-operatório.
 
          Nossa equipe atua no tratamento das doenças neurocirúrgicas de adultos e crianças. Se você precisa agendar uma consulta com um especialista acesse o nosso site www.raquelzorzi.com.br 

sábado, 26 de março de 2016

Dia 26 de março - Dia mundial da conscientização de epilepsia


O que é epilepsia?

           Epilepsia é uma doença neurológica. Devido a descargas elétricas anormais no cérebro o corpo do paciente pode apresentar uma série de movimentos anormais com ou sem perda da consciência, e a isso nós chamamos de crise convulsiva. A crise mais temida e conhecida pela população é a crise tônico-clônica generalizada, onde o paciente cai no chão, perde a consciência e começa a se debater, geralmente apresentando muita salivação e podendo perder controle esfincteriano (urinando-se sem querer durante a crise).

     Você sabe o que fazer para ajudar o paciente durante a crise? Seguem 5 dicas:
1- Fique calmo e acalme as pessoas em volta. A crise convulsiva não costuma durar mais que 3-5 minutos. Peça a alguém que chame ambulância e a uma outra pessoa que marque o tempo de duração da crise.

2- O paciente deitado no chão deve ser colocado de lado, para que a saliva escorra da boca.

3- Proteja a cabeça apoiando-a ou colocando algo macio embaixo para que ela não fique batendo no chão durante as contrações musculares.

4- Não tente restringir os movimentos, nem coloque nada na boca da pessoa. Também não tente dar água, alimentos, remédios ou jogar água na pessoa para ela acordar, nem durante, nem depois da crise. Apenas aguarde o término da crise.

5- Quando a crise acabar, fique ao lado da pessoa até ela acordar. Geralmente ela acorda confusa. Tente acalmá-la e aguarde a ambulância ou entregue aos cuidados de familiares.

     Se você teve uma crise convulsiva deve ser avaliado por um neuro! A crise pode estar refletindo algum problema mais grave no cérebro! Se você precisa agendar uma consulta acesse www.raquelzorzi.com.br

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